::: Foi de caso pensado que utilizamos um quadro de Frans Post para ilustrar a capa deste livro. Embora o paisagista holandês, que acompanha Maurício de Nassau durante boa parte de sua estada no Brasil (1637-1644), já tivesse regressado à Europa quando o romance começa, é indiscutível que ele, na melhor tradição do paisagismo de seu tempo - e de seu país - reproduziu não apenas a realidade física que o cercava, mas soube captar muito bem o clima humano que, tanto ou mais do que ela, tornava o trópico tão fascinante e perturbador para quem tivesse sido criado num esquema social de rigidez e previsibilidade.
Pois é exatamente isso - esse realismo mágico - que Gilvan Lemos, mestre da moderna ficção brasileira, transmite neste excelente romance, que nos põe diante dos olhos e do coração - com moderna técnica quase cinematográfica - a saga de uma comunidade do interior nordestino e de várias gerações de uma família luso-tropical que, sem se dar conta, vive no dia-a-dia os conceitos sócio-antropológicos a que Gilberto Freyre tão admiravelmente deu permanência cultural e científica. :::

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